Em um pautado em branco, coloco letras azuis.
Em seus medos descubro, os maiores mistérios nús.
Na imensidão da Antártida pingo com gotas vermelhas e quentes, a minha dor.
Derretendo assim o gelo que a sua falta criou.
Já está frio o seu lugar na mesa.
Espero o seu retorno me fazendo surpresa.
Em uma balança o valor numérico aumenta.
Nenhum analgésico ou controlado minha dor apascenta.
Continuo implodindo em uma velocidade cada vez maior.
Recolha-me!
Oriunda do desejo de a zero se igualar,
apenas desejo voar!
Nanna Barbie
Que responsabilidade à mim foi dada, sem antes me capacitar!
Eu posso ferir, denegrir ou curar!
Eu poderia até mesmo um suicídio ocasionar, ou ainda quem me deras, uma vida salvar!
Muita responsabilidade para quem nem pode treinar.
Posso te fazer sorrir!
Posso te fazer chorar!
Posso fazer você cair!
Posso lhe dar forças para levantar!
E todo esse poder eu nem mesmo pedi, e nem sempre sei usar.
Quando uso-o incorretamente, assim que percebo vou me desculpar:
- Perdoe-me nasci com o dom de falar!
Nanna Barbie
Em uma grande metrópole há uma rosa, que de tanta rispidez está secando.
O cotidiano não permite que a reguem, mas o sol continua iluminando.
O tempo passando, o dia anoitecendo e a pobre rosa solitária ao destino chegando. Lugar algum, a rosa está murchando.
O corrido mundo não deixa que as pessoas parem para a rosa olhar e já não há nada mais a fazer pois a rosa está determinada a murchar.
É melhor assim! Pensa a rosa. Antes decompor, a limitada a este mundinho ficar.
E enfim neste dia que amanheceu, a rosa branca morreu, mas novas folhas estão a brotar pois a rosa regava a raiz enquanto se colocava a chorar.
E um ocupado cidadão tardiamente começou a reparar, que já não havia nada para com o cinza da cidade contrastar. Mais já era tarde! Não adiantaria nem mesmo adubar, pois aquela rosa jamais iria brotar, porque não permitiria que novamente a indiferença, o seu coração fosse quebrantar.
Nanna Barbie